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	<title>Culturando</title>
	<link>http://culturando.com</link>
	<description>Programação cultural gratuita ou de preço popular que acontece na cidade de São Paulo</description>
	<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 14:07:38 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
			<item>
		<title>Nanocultura</title>
		<link>http://culturando.com/nanocultura/</link>
		<comments>http://culturando.com/nanocultura/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 17:39:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Emerson</dc:creator>
		
	<category>Uncategorized</category>
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		<description><![CDATA[<p><em>Por Victor Cremasco</em></p>
<p><img align="left" title="Isabela - Por Mara Magaña" style="width: 142px; height: 198px" alt="Nanocultura. - Por Victor Cremasco / Divulgação" src="http://culturando.com/wp-content/uploads/colunistas/col_victor01_2.jpg" />-    Alô? Quem fala?<br />
- É o Zé, quem tá falando?<br />
- Styxchum, deve ter sido engano.<br />
- Como é? Repete.<br />
- Styxchum. S-t-y-x-c-h-u-m.<br />
- Ah!<br />
- Só uma pergunta, de onde você é?<br />
- Sou de São Paulo.<br />
- Fala sério, não tenho o nanodia todo.<br />
- Você acha que tô brincando?<br />
- Lógico, deve ser um desocupado. Você acha graça?<br />
- Qual o problema de morar em São Paulo?<br />
- Nenhum. Não vou perder nanotempo com você no nanofone.<br />
- Não tô entendendo nada, vou desligar. Você é&#8230;<br />
- Ei, calma! Em que ano você vive?<br />
- Ai, meu Deus! 2008, meu amigo. 2008!<br />
- Hum, tá explicado. Ocorreu uma interferência temporal no meu    nanocelular.<br />
- Tá, sou o Zorro! Tchau.<br />
- São 59 anos de distância entre nós!<br />
- Agora sou o Hércules!<br />
- Calma, calma. 2008? Posso provar, deixa eu tomar meu nanolivro de história.<br />
- Lá vai piada.<br />
- Anota aí: O Lula sai do poder e o Clodovil assume a presidência    (Frank Aguiar vice da chapa). O Irã inicia a terceira grande guerra em    2012, lançando uma nanobomba atômica sobre o Texas, matando milhões.<br />
- Já chega, ficou feliz?<br />
- Puxa cara, achei que você falaria comigo. Eu poderia te contar as coisas    e você ficaria rico com nanoapostas e nanodescobertas. Por exemplo, fala    uma coisa que você gosta de fazer.<br />
- Eu gosto de ler.<br />
- Bom tema! Eu também, mas não leio. Eu não preciso. Deixa    eu te contar: os nanolivros agora são vendidos em nanocápsulas    ou nanossopas em pó. Basta engolir e você sabe tudo e um pouco    mais. Sabe como é, questão de nanotempo.<br />
- Nossa! Quanta criatividade, não?<br />
- É. Imagino que vocês pensem em como será o mundo em 2067.    Não é?<br />
- Uh, todos os dias.<br />
- Quem diria. Você pega a nanoreceita do Drummond, do Bilac e do Machado,    passa na livraria e compra (só não pode comprar as do Coelho pois    foi provado que causam efeitos colaterais). Depois, vai de nanomotor pra sua    nanobolha e pode até trabalhar lá, mandando nanofax-lasers. Ah,    nanobolha pois algumas casas agora possuem o opcional de flutuação,    dada a falta de nanoespaços. É até mais legal.<br />
- Cara, você é um nanobelo de um nanomaluco!<br />
- Olha só! Você tá ficando bom nisso. Gosta de teatros,    museus também?<br />
- Sim, gosto. Só uma pergunta: vai demorar pra acabar a piada?<br />
- Que piada? Não existem mais teatros nem museus. Agora você compra    uma nanotela e o que quiser assistir por nanofone, desde os originais cantos    homéricos até os monólogos da vagina. Assiste tudo no nanossofá.    O ruim é que não existe o contato com o ator ou a peça    exposta. Fica tudo muito vago.<br />
- Ah, entendi. No mais?<br />
- Ah, no mais eu poderia ficar falando muitas coisas pra você, mas acho    melhor eu desligar e pular alguns dias da minha nanovida, porque as coisas andam    muito tediosas. Tá tudo muito fácil.<br />
- Hu! Que mente brilhante. Vocês fazem nanossexo também?<br />
- Tá vendo como a curiosidade é incontrolável!? Não    fazemos não, agora é tudo artificial, feito em laboratório.    E pra quem quer prazer, basta comprar um capacete orgasmatrônico.<br />
- Dá licença, agora chega, vou desligar.<br />
- Como quiser.<br />
- Ah, só mais uma pergunta. Por quê São Paulo vai deixar    de existir?<br />
- Questão de segurança pública. Será evacuada. Muitas    pessoas começarão a ter doenças raras, causadas talvez    pela poluição de um rio. Não lembro bem.<br />
- Boa idéia.<br />
- Não vamos perder contato, me dá seu nanofone.<br />
- 8175-7397<br />
- O meu é 87xt6h54z. Anotou?<br />
- Ah, cara. Sinceramente, perdeu a graça. Nem sei o que fiz aqui esse    tempo todo ouvindo essas baboseiras.<br />
- Tudo bem. Se é assim. Tenho mesmo que ir, meu José de Alencar    é de seis em seis horas. Nanoadeus, meu amigo!<br />
- !*&#038;@#%*&#038;!@!<br />
[&#8230;]</p>
<p>Zé desligou o telefone, riu e nunca mais perdeu tempo. Hoje, sempre    que possível, vai a teatros, museus e bibliotecas, aproveitando enquanto    ainda pode as delícias das sensações humanas. Afinal, ainda    não temos nanocabeças.</p>
<p>Essa história é fictícia e qualquer semelhança    com a realidade é mera coincidência. Aliás, coincidência    boa seria que também aproveitássemos melhor nosso tempo, por exemplo,    buscando ir a uma das duas apresentações únicas de João    Gilberto em São Paulo, comemorando os 50 anos da Bossa Nova, em meados    de agosto.</p>
<table width="95%" cellspacing="0" cellpadding="0" border="0">
<tr>
<td style="height: 10px"></td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#cccccc" style="height: 1px"></td>
</tr>
<tr>
<td style="height: 8px"></td>
</tr>
<tr>
<td scope="col"><strong>Victor Hugo Fernandes Cremasco</strong> é graduando        em Letras pela Universidade de São Paulo, músico e estagiário        na área de cinema e teatro.</td>
</tr>
<tr>
<td style="height: 8px"></td>
</tr>
</table>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Victor Cremasco</em></p>
<p><img align="left" title="Isabela - Por Mara Magaña" style="width: 142px; height: 198px" alt="Nanocultura. - Por Victor Cremasco / Divulgação" src="http://culturando.com/wp-content/uploads/colunistas/col_victor01_2.jpg" />-    Alô? Quem fala?<br />
- É o Zé, quem tá falando?<br />
- Styxchum, deve ter sido engano.<br />
- Como é? Repete.<br />
- Styxchum. S-t-y-x-c-h-u-m.<br />
- Ah!<br />
- Só uma pergunta, de onde você é?<br />
- Sou de São Paulo.<br />
- Fala sério, não tenho o nanodia todo.<br />
- Você acha que tô brincando?<br />
- Lógico, deve ser um desocupado. Você acha graça?<br />
- Qual o problema de morar em São Paulo?<br />
- Nenhum. Não vou perder nanotempo com você no nanofone.<br />
- Não tô entendendo nada, vou desligar. Você é&#8230;<br />
- Ei, calma! Em que ano você vive?<br />
- Ai, meu Deus! 2008, meu amigo. 2008!<br />
- Hum, tá explicado. Ocorreu uma interferência temporal no meu    nanocelular.<br />
- Tá, sou o Zorro! Tchau.<br />
- São 59 anos de distância entre nós!<br />
- Agora sou o Hércules!<br />
- Calma, calma. 2008? Posso provar, deixa eu tomar meu nanolivro de história.<br />
- Lá vai piada.<br />
- Anota aí: O Lula sai do poder e o Clodovil assume a presidência    (Frank Aguiar vice da chapa). O Irã inicia a terceira grande guerra em    2012, lançando uma nanobomba atômica sobre o Texas, matando milhões.<br />
- Já chega, ficou feliz?<br />
- Puxa cara, achei que você falaria comigo. Eu poderia te contar as coisas    e você ficaria rico com nanoapostas e nanodescobertas. Por exemplo, fala    uma coisa que você gosta de fazer.<br />
- Eu gosto de ler.<br />
- Bom tema! Eu também, mas não leio. Eu não preciso. Deixa    eu te contar: os nanolivros agora são vendidos em nanocápsulas    ou nanossopas em pó. Basta engolir e você sabe tudo e um pouco    mais. Sabe como é, questão de nanotempo.<br />
- Nossa! Quanta criatividade, não?<br />
- É. Imagino que vocês pensem em como será o mundo em 2067.    Não é?<br />
- Uh, todos os dias.<br />
- Quem diria. Você pega a nanoreceita do Drummond, do Bilac e do Machado,    passa na livraria e compra (só não pode comprar as do Coelho pois    foi provado que causam efeitos colaterais). Depois, vai de nanomotor pra sua    nanobolha e pode até trabalhar lá, mandando nanofax-lasers. Ah,    nanobolha pois algumas casas agora possuem o opcional de flutuação,    dada a falta de nanoespaços. É até mais legal.<br />
- Cara, você é um nanobelo de um nanomaluco!<br />
- Olha só! Você tá ficando bom nisso. Gosta de teatros,    museus também?<br />
- Sim, gosto. Só uma pergunta: vai demorar pra acabar a piada?<br />
- Que piada? Não existem mais teatros nem museus. Agora você compra    uma nanotela e o que quiser assistir por nanofone, desde os originais cantos    homéricos até os monólogos da vagina. Assiste tudo no nanossofá.    O ruim é que não existe o contato com o ator ou a peça    exposta. Fica tudo muito vago.<br />
- Ah, entendi. No mais?<br />
- Ah, no mais eu poderia ficar falando muitas coisas pra você, mas acho    melhor eu desligar e pular alguns dias da minha nanovida, porque as coisas andam    muito tediosas. Tá tudo muito fácil.<br />
- Hu! Que mente brilhante. Vocês fazem nanossexo também?<br />
- Tá vendo como a curiosidade é incontrolável!? Não    fazemos não, agora é tudo artificial, feito em laboratório.    E pra quem quer prazer, basta comprar um capacete orgasmatrônico.<br />
- Dá licença, agora chega, vou desligar.<br />
- Como quiser.<br />
- Ah, só mais uma pergunta. Por quê São Paulo vai deixar    de existir?<br />
- Questão de segurança pública. Será evacuada. Muitas    pessoas começarão a ter doenças raras, causadas talvez    pela poluição de um rio. Não lembro bem.<br />
- Boa idéia.<br />
- Não vamos perder contato, me dá seu nanofone.<br />
- 8175-7397<br />
- O meu é 87xt6h54z. Anotou?<br />
- Ah, cara. Sinceramente, perdeu a graça. Nem sei o que fiz aqui esse    tempo todo ouvindo essas baboseiras.<br />
- Tudo bem. Se é assim. Tenho mesmo que ir, meu José de Alencar    é de seis em seis horas. Nanoadeus, meu amigo!<br />
- !*&#038;@#%*&#038;!@!<br />
[&#8230;]</p>
<p>Zé desligou o telefone, riu e nunca mais perdeu tempo. Hoje, sempre    que possível, vai a teatros, museus e bibliotecas, aproveitando enquanto    ainda pode as delícias das sensações humanas. Afinal, ainda    não temos nanocabeças.</p>
<p>Essa história é fictícia e qualquer semelhança    com a realidade é mera coincidência. Aliás, coincidência    boa seria que também aproveitássemos melhor nosso tempo, por exemplo,    buscando ir a uma das duas apresentações únicas de João    Gilberto em São Paulo, comemorando os 50 anos da Bossa Nova, em meados    de agosto.</p>
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<td scope="col"><strong>Victor Hugo Fernandes Cremasco</strong> é graduando        em Letras pela Universidade de São Paulo, músico e estagiário        na área de cinema e teatro.</td>
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